Queimadura de água viva: O que fazer?


O verão chegou! Essa é a estação mais quente do ano e o que muita gente deseja é aproveitar tudo que o mar pode proporcionar, né? Entretanto, existe um animal marinho que pode preocupar, incomodar e até mesmo fazer com que as pessoas evitem entrar no mar: a água viva.  Esses são animais bastante comuns no Brasil e é exatamente no verão que eles se reproduzem, ou seja, podem ser vistos com mais frequência do que gostaríamos.

Você sabe o que deve, e o que não deve, fazer caso seja queimado por uma água-viva? Vamos entender tudo sobre queimaduras de águas vivas abaixo para que você possa aproveitar a estação do sol e cuidar da queimadura, caso ocorra, de forma correta!

Cuidados com a pele ao entrar no mar

        Se hidratar, manter uma alimentação saudável, passar filtro solar diariamente e sempre que mergulhar ou suar, são alguns cuidados que devem ser tomados com a pele no verão. Porém, é importante dizer que não existem cuidados específicos com a pele que podem ser seguidos para evitar a temida queimadura de água viva.

O recomendado para evitar queimadura de água viva é não tocar nelas, mesmo que pareçam estar mortas na areia, já que o veneno pode permanecer mesmo depois que o animal estiver morto. Além disso, antes de entrar na água, é recomendado sempre se informar com o guarda vidas sobre como está a situação do mar e qual é o melhor lugar para mergulhar. Lembre-se que as águas vivas não atacam pessoas, o que acontece são acidentes quando algum banhista encosta, sem querer, nelas.

O que são águas vivas e por que elas queimam a pele

            Água-viva é um animal marinho invertebrado e que pode ser encontrado na maioria dos oceanos do planeta. Existem mais de 1500 espécies diferentes de água-viva, sendo interessante que algumas até conseguem viver em ambientes de água doce. Esses animais vivem em torno de seis meses, se alimentam de pequenos animais aquáticos ou de microplânctons.

Já em relação a sua estrutura, vale dizer que esse animal tem o corpo em forma de sino, consistência gelatinosa, é formado quase totalmente por água e, quando adultos, a borda interna da estrutura fica arredondada, onde se formam longos tentáculos que servem como defesa e também para coletar alimentos.

Sobre as queimaduras de água viva é importante ressaltar que elas são um acidente, pois como falamos anteriormente esses animais não atacam humanos. As águas-vivas se movimentam com contrações do corpo ou sendo levadas pelas correntes marítimas e, quando se sentem ameaçadas, soltam um ferrão microscópico com filamentos que injetam toxina na pele do agressor. Portanto, o que ocorre na realidade não é uma queimadura, embora os sintomas sejam realmente semelhantes, e sim um envenenamento.

Quais são os sintomas de queimadura de água viva?

Os sintomas da queimadura de água viva são: dor forte, sensação de queimadura no local, inchaço, ardência e marcas vermelhas ou escuras, que acontecem devido a ação do veneno do animal na pele. Em quadros mais graves de queimadura de água-viva, é possível que ocorram outras reações como dificuldade para respirar e engolir, dor no peito e na cabeça, erupção cutânea, náusea, vômitos, câimbras, entre outros.

Importante destacar que a gravidades das lesões por conta de queimaduras de água-viva estão associadas ao tamanho do animal que produziu o ferimento e também a idade e as condições de saúde da vítima. Na maioria das vezes, não é necessário assistência médica devido a queimadura de água viva caso elas sejam tratadas da forma correta como vamos indicar a seguir.

O que fazer no caso de queimadura de água viva

            Em caso de queimadura de água viva, siga as recomendações descritas abaixo:

1º – O primeiro cuidado com a queimadura de água viva é lavá-la com água do mar ou soro fisiológico. A região não deve ser esfregada, apenas lavada com cuidado e delicadeza;

2º Os tentáculos da água viva podem ficar grudados na superfície da pele, sendo importante retirá-los. Para isso, utilize um objeto como um cartão, ou palito de picolé, para removê-los de forma segura;

3º – Após os cuidados acima, faça uma compressa com vinagre na região afetada por cerca de 30 minutos. O vinagre ajuda a neutralizar as toxinas do animal;

4º – Como a queimadura da água-viva deixa a região afetada mais sensível, não deixe de protegê-la do sol até que cicatrize por completo, já que caso contrário a lesão pode ser agravada e até mesmo podem surgir bolhas. Filtro solar com mínimo 30 FPS deve ser aplicado e o local pode ser protegido com roupas que contenham proteção UV também.

Se a dor tiver duração de mais de uma semana ou se surgirem sintomas graves, como náuseas, dor no peito ou na cabeça, câimbras musculares ou dificuldade de respirar, o recomendado é procurar um medido de forma imediata para que a situação seja avaliada e o melhor tratamento indicado.

O que fazer nos dias após a queimadura com água-viva?

Depois de seguir as recomendações descritas acima logo que acontece a queimadura com água-viva, é recomendado que se siga alguns cuidados nos dias após o acontecido para aliviar os sintomas e a inflamação. Compressas de água gelada são indicadas e, caso surjam feridas na pele, e importante lavar a região 2 a 3 vezes por dia com água e sabão de pH neutro, e depois cobrir com compressas esterilizadas.

O que não fazer no caso de queimadura de água viva

        Não é recomendado lavar o local da queimadura de água viva usando água doce, já que ela pode aumentar a liberação de veneno dos tentáculos e piorar a queimação. Além disso, embora muita gente acredite que o xixi é uma solução, não se deve passar urina na queimadura com água-viva antes dos tentáculos serem removidos, pois o efeito ácido não vai conseguir nem atenuar o veneno, nem diminuir a dor. Sabonete, álcool e limão também não são recomendados e podem agravar a irritação da pele e levar a um quadro mais grave.

 

Um abraço,

Dra. Silvia Kaminsky

Diretora Médica da Skinlaser.

CRM – SP 68.968 / RQE 38.901

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